domingo, 9 de março de 2014

PS_T99X_Texto para Blog PS

      PS_Luiza Barbosa                                                                                                                                          A Inclusão Escolar da Pessoa com Surdez na Escola Regular
                                                                                                           
                    Luiza Barbosa de Sousa Vieira


                                                                                                                                                 Curso de Especialização à Distância em AEE / UFC.
A inclusão escolar de pessoas com surdez em escolas regulares, em geral revela o entendimento que a maioria das pessoas têm, ou seja, que  as pessoas com surdez devem estar numa sala e/ou escola especial, aprendendo a comunicar-se através da LIBRAS (L1) e relacionando-se na maioria das vezes apenas com surdos e que num segundo momento, aprenderão a Língua Portuguesa (L2). No entanto, essa compreensão está mudando graças às novas concepções de homem, atualmente defendida por profissionais da Educação como Damázio (2005), que acredita que as propostas de trabalho para a escolarização de pessoas com surdez, devem basear-se    
à luz do pensamento pós-moderno, a pessoa com surdez, como ser humano descentrado, em que processos perceptivos, linguísticos e cognitivos poderão ser estimulados e desenvolvidos, tornando-se seres humanos capazes, produtivos e constituídos de várias linguagens, com potencialidade para adquirir e desenvolver não somente os processos visuais-gestuais, mas também ler e escrever as línguas em seus entornos”.
Baseando-se nesse princípio, entende-se que é necessário o rompimento das práticas pedagógicas conservadoras, buscando desenvolver a prática pedagógica, çlpcompreendendo a pessoa com surdez, em sua totalidade, ou seja, um ser biopsicossocial, cognitivo e cultural e não vê-lo reduzido ao mundo surdo, às comunidades surdas.
A proposta educacional para essas pessoas é proporcionar ações de mudanças   educacionais - estratégias, metodologias, adaptações curriculares, voltadas para incluí-las em sala/escola regular, com intérprete de Libras, respeitando as diferenças -  visto que cada ser é um ser diferente; com condições de aprendizagem iguais para todos os alunos, independente de suas limitações. Estudiosos como Damázio (2005), revelam uma nova possibilidade de trabalho para essa parcela da população que possui uma língua especifica a L1 e que convive diariamente nos mais diversos contextos sociais, com uma maioria que usa outra língua, a L2.  Daí a necessidade da população surda aprender a L2, principalmente na modalidade escrita, a qual favorecerá a interação com os usuários dessa língua (ouvintes). A partir dessas considerações, percebe-se que a escola, na perspectiva da Educação Inclusiva, precisa rever suas práticas pedagógicas, de forma a contemplar o desenvolvimento das pessoas com surdez - PS, levando em conta que essas também estão envolvidas em redes sociais, culturais e de saberes, proporcionando aos seus alunos, condições de se sentirem sujeitos participativos desse contexto. A educação inclusiva propõe a efetivação da proposta bilíngue, oportunizando às PS tanto o aprendizado da L1, como da L2, sem priorizar uma língua sobre a outra, mas que ambas contribuam para a aquisição e produção de conhecimentos, a formação critica dos alunos, a interação com as demais pessoas nos mais diversos espaços sociais.
A literatura atual apresenta uma proposta inovadora para a escola regular ofertar educação às PS, de forma a possibilitar uma aprendizagem de qualidade, respeitando às suas potencialidades, habilidades e especificidade linguística, que são os serviços de Atendimento Educacional Especializado – AEE PS de forma complementar as atividades desenvolvidas na sala regular. Esses serviços serão desenvolvidos através de um Plano de AEE e PS, envolvendo os três momentos didático-pedagógicos: AEE de libras – momento em que a pessoa com surdez terá oportunidade de aprender e/ou aprofundar seus conhecimentos nessa língua, inclusive a aquisição de sinais de termos científicos; o AEE em libras – espaço dedicado para interpretação em libras dos conteúdos da sala regular, facilitando a sua compreensão e o AEE de Língua Portuguesa, onde o aluno com surdez se apropriará das especificidades dessa língua, na modalidade escrita. Acredita-se que somente a partir da efetivação dessa proposta, é que a escola regular possa de fato está contribuindo para o processo de inclusão educacional das PS. Ressalta-se que o Plano de AEE PS será elaborado em consonância com os conteúdos trabalhados na sala regular, ouvindo os profissionais (professores, interpretes, coordenações) envolvidos com esse aluno além é claro dos familiares. Sabemos que a Inclusão de PS na escola regular é um grande desafio a ser enfrentado por todos, de forma gradativa, com muitas leituras e discussões. Mas que é possível desde que as pessoas aprendam a respeitar às diferenças humanas e, assim como as flores, consigam embelezar o mundo com suas diversidades.
Referência bibliográfica:                                                                                                                 DAMÁZIO, Ferreira Macedo Milene. Educação Escolar de Pessoas com Surdez. Atendimento Educacional Especializado em Construção.