domingo, 30 de junho de 2013

Plano de Atendimento Educacional Especializado-AEE e Deficiencia Intelectual- DI

Plano de Atendimento Educacional Especializado - AEE e Deficiência Intelectual - DI

A. Dados de identificação

Nome do aluno: Roberto
Idade: 13 anos
4º ano - Turno: manhã
Escola: EEF José Hamilton de Oliveira
Município: Limoeiro do Norte-CE.
Professora do ensino regular: “Maria Margarida da Silva”
Professora do AEE: Luiza Barbosa de Sousa Vieira.

B. Plano de AEE

1. Objetivos do plano:
·         Visitar a Instituição na qual o Roberto reside, com o objetivo de conhecer melhor o seu dia a dia (aspectos afetivos, sociais, intelectual, motor e cognitivo);
·         Orientar o atendimento a Roberto por profissionais, como: neurologista, fisioterapeuta,  psicopedagogo, fonoaudiólogo, para constatação ou não de deficiência intelectual através de Laudo Médico, bem como, a emissão de relatórios dos demais profissionais;
·         Sensibilizar a comunidade escolar sobre a Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, visando romper as barreiras / preconceitos e concepções equivocadas sobre o processo de inclusão das pessoas com deficiência na escola regular;
·         Orientar o(a) professor(a) de Educação Física, sobre a participação do Roberto nas atividades dessa disciplina, contribuindo para que esse discente utilize todo o seu potencial físico em atividades esportivas, adquirindo novas habilidades na coordenação motora, melhorando a sua mobilidade, tanto no ambiente escolar, como em outros espaços sociais;
·         Ampliar a comunicação do Roberto, com o auxílio da comunicação aumentativa e alternativa, facilitando a sua interação na escola/instituição/sociedade;
·         Elaborar e/ou selecionar atividades que explorem as potencialidades e habilidades desse aluno, contribuindo para a aquisição dos conhecimentos acadêmicos, possibilitando a aquisição da leitura e da escrita, fortalecendo a socialização no ambiente escolar e fora desse, estimulando-o no processo de independência/ autonomia;
·         Adotar metodologias para o desenvolvimento de atividades que envolvam jogos, como por exemplo: bingos, dominós, que exigem regras de competição, tornando os momentos de aprendizagens atrativos, satisfatórios, instigado-o à pesquisa, além de trabalhar o raciocínio lógico, cálculos matemáticos, através da utilização das Tecnologias da Informação e da Comunicação – TICs, como os jogos educativos, por exemplo (software educacionais).

2. Organização do atendimento:
  • Período de atendimento: de agosto a dezembro de 2013.
  • Frequência: três vezes na semana.
  • Tempo de atendimento: 01 h.
  • Composição do atendimento: individual.

3. Atividades a serem desenvolvidas no atendimento ao aluno:

Ao pensarmos em atividades a serem desenvolvidas com o Roberto, demos prioridade aquelas que:
·         Estimule o potencial cognitivo, através da intervenção intencional do professor;
·         Potencialize o desenvolvimento e aprendizagem do Roberto, com recursos de baixa e alta tecnologia;
·         Desenvolva a expressão oral e escrita, o raciocínio lógico matemático, o funcionamento cognitivo, a afetividade (comportamento e interação);
·         Estimule os aspectos motores através da manipulação de objetos de diferentes texturas, formas e tamanhos;
·         Desenvolva a expressão oral, através da compreensão de recados;
·         Estimule a produção espontânea, desenvolvendo ações de escrita de uma lista de palavras de um mesmo grupo semântico (lista de animais, frutas, brinquedos, dentre outros, visualizando as imagens). A partir da produção do Roberto (diferentes representações gráficas identifica-se o nível de compreensão que o mesmo tem do sistema escrito);
·         Estimule o desenvolvimento das potencialidades do aluno a partir dos interesses manifestados pelo mesmo em jogos, ensinando as regras dos jogos, bem como, o espírito de competição  saudável, compreendendo que quem participa de uma competição, poderá ser ou não, o vencedor;
·         Promova a capacidade de agrupamentos de imagens e objetos, explicitando dentro de sua lógica de significação;
·         Ampliar a comunicação do Roberto, com o auxílio da comunicação aumentativa e alternativa, facilitando a sua interação na escola/instituição/sociedade;
·         Desenvolver atividades que explorem as potencialidades e habilidades desse aluno, contribuindo para a aquisição dos conhecimentos acadêmicos, possibilitando a aquisição da leitura e da escrita, fortalecendo a socialização no ambiente escolar e fora desse, estimulando-o no processo de independência/ autonomia;
·         Utilizar metodologias que envolvam jogos, como por exemplo: bingos, dominós, que exigem regras de competição, tornando os momentos de aprendizagens atrativos, satisfatórios, instigado-o à pesquisa, além de trabalhar o raciocínio lógico, cálculos matemáticos, com o auxílio das Tecnologias da Informação e da Comunicação – TICs (como os jogos educativos, por exemplo/ software educacionais).

Diante do exposto, elaboramos atividades e criamos situações pedagógicas para que o Roberto avance nos níveis conceituais da escrita e da leitura e nos seus estágios de desenvolvimento cognitivo.

Atividades a serem desenvolvidas com o Roberto:

• Jogos (de números e de palavras), dominós (de números, de letras, de sílabas)e atividades variadas com o alfabeto móvel e sílabas móveis;
• Alfabetização on line;
• Recontar vídeos, construção de relatos e descrições;
• Leitura de livrinhos de literatura;
• Jogos de memória, bingo, dominós diversos;
• Jogo dos 7 erros;
•  Labirinto;
• Trabalhos manuais: recortes, pinturas, encaixes;
• Localizar palavras num pequeno texto;
• Atividades para completar a primeira ou a última letra dos nomes ou palavras com material concreto (fichas, jogos, pranchas de comunicação);
• Uso de material dourado, blocos lógicos e TANGRAN (formas geométrica e cores);
·       Atividades de desenho, pintura livre e colagem;
·   Jogos que estimulam a pensar como: jogo da memória, quebra-cabeça, caça-letras, jogos de dama, dominós, baralhos ilustrados (animais);
·   Usar ilustrações e fichas de leitura com o objetivo de acostumar o aluno a relacionar a imagem com as letras, palavras e frases como: pastas e fichários de comunicação alternativa, pasta e prancha frasal;
·   Jogos on-line, softwares e outros recursos da Tecnologia Assistiva que desenvolvam a comunicação e habilidade;
·  Blocos de encaixe, esquema corporal, brincadeiras de faz de conta e contar histórias com uso de fantoches;

4. Seleção de materiais a serem produzidos para o aluno:
·       Pastas e fichários de comunicação alternativa;
·       Pranchas com fotos e gravuras seriadas;
·       Jogo da memória e baralho com figuras de animais;
·       Fichas e cartões simbólicos;
·       Cópias de letras, palavras e pequenas frases - móveis;
·       Cruzadinhas, caça-letras/ palavras, quebra-cabeça, fichas, recortes, encaixes, cartão para bingo, jogos com o alfabeto, fantoches, blocos de encaixe, jogos  etc.
5. Adequações de materiais:

O material que será utilizado deve estar de acordo com o tema da aula e deve estar em perfeitas condições de modo que não ofereça riscos à criança.
·         Papel com pautas espaçadas;
·         Tesouras sem pontas;
·         Apontadores;
·         Jogos de materiais à base de E.V.A. / cartolina / colossete

6. Seleção de materiais e equipamentos que necessitam ser adquiridos: liste os recursos materiais que precisam ser encaminhados para compra e /ou que já existem na sala de recursos multifuncionais:
·         Papel cartão, cartolina, papel ofício de diversas cores;
·         E.V.A;
·         Cartolina;
·         Colossete;
·         Cola, tesoura, apontador, lápis de cor preto, canetinhas, tinta guache, pincéis, giz de cera;
·         Livros, CD’s e DVS’s com historinhas infantis;
·         Fantoches;
·         Dominós;
·         Pastas e fichários de comunicação alternativa;
·         Pasta e prancha – letras, palavras e frases;
·         Softwares e outros recursos da Tecnologia Assistiva que desenvolvam a comunicação e a habilidade da leitura e da escrita;

7. Tipos de parcerias necessárias para aprimoramento do atendimento e da produção de materiais: terapeuta ocupacional para criar uma tesoura adaptada, costureira para fazer uma calça com enchimento para trabalhar com a criança e outros.

·         Assistente Social da Instituição na qual ele vive – informações sobre o cotidiano do Roberto (condições de saúde, uso de medicamentos, comportamento, interação social), com orientações à escola e aos professores;
·         Neurologista - identificar se tem ou não deficiência intelectual. Caso Positivo, realizar o devido acompanhamento;
·         Psicólogo – orientar os professores da sala comum e do AEE sobre o comportamento do Roberto;
·         Fonoaudiólogo – desenvolvimento da linguagem, possibilitando uma melhor articulação da fala;
·         Professor de sala comum/ Educação Física – relato para o professor do AEE sobre a participação desse aluno nas atividades propostas em sala;
·         Núcleo Gestor da escola – apoio pedagógico às atividades necessárias a efetivação das Políticas da Educação Inclusiva.
8. Profissionais da escola que receberão orientação do professor de AEE sobre serviços e recursos oferecidos ao aluno:
·         Professor de sala de aula;
·         Professor de Educação Física;
·         Colegas de turma;
·         Núcleo Gestor da Escola;
·         Secretaria Municipal de Educação (Coordenação da Educação Inclusiva);
·         Organismos Colegiados.

C. Avaliação dos resultados:

1. Indicação de formas de registro
O plano deverá ser avaliado durante toda a sua execução.
O registro da avaliação do plano deverá ser feito em um caderno ou ficha de acompanhamento, onde serão descritos pelo professor do AEE o uso do serviço e do recurso em sala de aula, durante o AEE e no ambiente familiar.
No registro, deverão constar as mudanças observadas em relação ao aluno no contexto escolar: o que contribuiu para as mudanças constatadas; repercussões das ações do plano de AEE no desempenho escolar do aluno.

2. Resultados obtidos diante dos objetivos do Plano de AEE.
• Espera-se estabelecer parceria entre a escola e a instituição em que o Roberto Reside;
• Acredita-se na aquisição de Laudo Médico e relatórios dos demais profissionais;
• Divulgação da Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva;
• Sensibilização do professor de Educação Física sobre a participação do Roberto em todas as atividades esportivas promovidas pela escola.
• Espera-se que o aluno amplie sua comunicação, com o auxílio da Comunicação Aumentativa e Alternativa - CAA, facilitando a sua interação na escola/instituição/sociedade;
• Através da aquisição da leitura e da escrita, o aluno alcançará sua autonomia e independência na vida escolar e pessoal;
• Com estratégias de aprendizagens e metodologias diferenciadas e que atendam às necessidades especificas desse aluno, espera-se facilitar o processo de ensino-aprendizagem valorizando suas potencialidades e explorando suas habilidades para o desenvolvimento de atividades que envolvam jogos,  que exigem regras de competição, trabalhando o raciocínio lógico, cálculos matemáticos, com o auxílio  das TICs, como os jogos educativos - (software educacionais);
• Participação em todas as atividades promovidas pela escola.

D. Reestruturação do Plano:

Liste os pontos de reestruturação do Plano de AEE, caso os objetivos do Plano não tenham sido atingidos.
  • Pesquisar e implementar outros recursos.
  • Estabelecer novas parcerias.
  • Outros.

E. Referências Bibliográficas:

Disponível em: www.imagem.eti.br/ Atividades Matemáticas (com números, raciocínio lógico). Acesso em 25.06.2013, às 20:38 h.
Disponível em: www.sol.eti.org.br/ Atividades de Língua Portuguesa (alfabetização on line, caça-palavras, jogo da velha, labirinto). Acesso em 25.06.2013, às 20:40 h.
Disponível em: www.atividadeseducativas.com.br/ Atividades diversas (alfabetização on line, historinhas infantis, coordenação motora, raciocínio, Motivação, Meio Ambiente, dentre outras). Acesso em 25.06.2013, às 21:05 h.
Gomes, Adriana Leite Lima Verde.
        A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: o atendimento educacional especializado para alunos com deficiência intelectual /Adriana Leite Lima Verde Gomes, Jean-Robert Poulin, Rita Vieira de Figueiredo. – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria da Educação Especial; [Fortaleza]: Universidade Federal do Ceará, 2010. V. 2 (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar).
Conforto, Débora...[et. al.].; Lucila Maria Costi Santarosa (org.). - Porto Alegre, p. 265. Tecnologias Digitais Acessiveis. Menino Curioso. Software Educacional. JSM Comunicação Ltda., 2010


AEE_Estudo_do_Caso_Roberto

                            AEE Estudo do caso Roberto
1-       Apresentação do Problema
“Roberto” tem 13 anos de idade, está matriculado no 4º ano em uma escola da  rede municipal de ensino tem características de deficiência intelectual e apresenta uma leve deformidade no crânio, provavelmente consequência do parto a fórceps. Vive em uma instituição para crianças e adolescentes órfãos. Encontra-se na fase (pré-silábica) do desenvolvimento da linguagem escrita. Apresenta variação de comportamento: em alguns momentos demonstra interesse e em outros, não para desenvolver as atividades de leitura e escrita. “Roberto” é muito inquieto em sala de aula, desloca-se com muita frequência chegando até a fugir da sala, não se interessando pela as atividades propostas por a professora e, após inúmeras tentativas de atividades, a mesma percebeu que esse aluno entende melhor as atividades escritas em contexto de jogo, já que manifesta um enorme interesse pelos mesmos, demonstrando grande esperteza para compreender suas regras e assim, ser sempre o vencedor. Na sua locomoção, percebe-se que arrasta os pés sem flexionar os joelhos. Tem dificuldades para desenvolver atividades gráficas no traçado das letras e no desenho.
Seu relacionamento com as outras crianças é muito bom e também com a professora da sala regular, sendo mais ligado a dois colegas de sua turma chegando a chamá-los de irmãos, esses dois garotos moram na mesma instituição que o “Roberto”.
                   2-    Esclarecimento do Problema
“Roberto” chegou nessa Instituição com poucos dias de vida e com a saúde em estado muito grave, segundo a Assistente Social. Teve uma infância com muitos problemas de saúde e de comportamento. Esteve em sala de aula especial até os 09 anos e na opinião da Assistente Social, todo esse tempo, contribuiu para que o seu comportamento regredisse passando a apresentar reações infantilizadas, necessitando de cuidados especiais em muitas atividades da vida. Nunca recebeu atendimento clinico. Aos 10 anos foi matriculado no primeiro ano  na sala regular, permanecendo na mesma escola até o 3º ano. Seus professores não pareciam se preocuparem com sua aprendizagem, achando que para ele a socialização bastava.
No 4º ano com a mudança de escola passou a frequentar o Atendimento Educacional Especializado – AEE na Sala de Recursos Multifuncionais - SRM. Ao recebê-lo, procurou-se conversar com a professora do “Roberto”, da sala regular para sabermos do seu comportamento em sala, suas potencialidades, habilidades, dificuldades, a qual relatou que o mesmo tem muitas dificuldades no traçado das letras e desenhos restringindo-se a algumas letras do alfabeto, principalmente as que compõem o seu nome; só consegue ler algo com a presença de imagens. A professora percebeu que identifica algumas letras do alfabeto.
De posse dessas informações e o observando durante os primeiros atendimentos, a professora do AEE pode constatar que “Roberto” tem comprometimento com seu desenvolvimento intelectual, o que não impede de ser perspicaz, principalmente para compreender regras de jogos e se beneficiar para vencer sempre. Apresenta boa capacidade de comunicação, favorecendo assim o diálogo com os colegas e professoras. Na sala de aula regular “Roberto” fica querendo sempre ajuda para desenvolver suas atividades e isso deixa sua professora
irritada. O aluno tem sua saúde fragilizada, frequentemente tem crises respiratórias e alérgicas, usa medicamentos diários para evitar essas crises.
                3-   Identificação da Natureza do Problema
Supõe-se que a natureza do problema de “Roberto” seja de ordem cognitiva e motora, a primeira por conta da suposta deficiência intelectual (ainda não contamos com o Laudo Médico) e a segunda em virtude de sequelas neuromotoras que afetaram seu tônus muscular, causando as dificuldades com o manuseio do lápis e na motricidade ampla. A falta de execução dos movimentos é por causa da hipotonia muscular, que impede a ação de pular e correr. A atenção seletiva atrapalha sua concentração.
                4-   Resolução do Problema
Enquanto professora do AEE na SRM, tem-se buscado estabelecer diálogos constantes com a professora do “Roberto” - sala regular e com a Assistente Social da Instituição na qual  esse aluno reside, com o objetivo de conhecê-lo com mais profundidade, orientando para que o “Roberto” seja atendido por profissionais como neurologista, para emissão de Laudo Médico; fisioterapeuta (possibilidade de melhorar a coordenação motora – locomoção); psicopedagoga, para identificação das causas da dificuldade na aprendizagem, psiquiatra, para constatação ou não da deficiência intelectual, profissionais esses que através de seus Laudo/Relatórios poderão auxiliar/ favorecer a identificação de estratégias e metodologias que a professora da Sala de Recursos Multifuncionais poderá valer-se para elaborar e/ou selecionar atividades que explorem as potencialidades desse aluno, visando a melhoria no processo de aprendizagem, na aquisição dos conhecimentos, na socialização do mesmo no ambiente escolar e fora dessa, estimulando-o no processo de independência/ autonomia, além de contribuir com a professora da sala regular, no sentido de que esta tenha uma melhor descrição da realidade desse aluno. Acredita-se que atividades que envolvam jogos, como por exemplo: bingos, dominós, envolvendo regras e competição, tornarão os momentos de aprendizagens mais satisfatórios e despertarão curiosidades, além de trabalhar o raciocínio lógico. Podem-se utilizar as Tecnologias da Informação e da Comunicação – TIC, como exemplo, os jogos educativos.


domingo, 23 de junho de 2013

Transporte Escolar Adaptado

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão.
Esplanada dos Ministérios, Bloco L, 2º andar – sala 200 – CEP: 70047-900
Brasília, Distrito Federal, Brasil.
Fone: (61) 2022-9217/9018 – Fax: (61) 2022-9020
NOTA TÉCNICA Nº 42 / 2011 / MEC / SECADI / DPEE
Data: 24 de outubro de 2011
Interessado: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE
Assunto: Ação de Aquisição de Transporte Escolar Acessível
O Ministério da Educação por intermédio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão – SECADI/MEC desenvolve em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome/MDS, o Mistério da Saúde/MS e a Secretaria de Direitos Humanos/SDH o programa BPC na Escola, com objetivo de acompanhar o acesso e permanência na escola dos beneficiários com deficiência do Beneficio da Prestação Continuada – BPC, na faixa etária de 0 a 18 anos.
A fim de promover a inclusão escolar por meio da garantia das condições de acesso e permanência na escola, a partir de 2012 a SECADI implementará ações de apoio à disponibilização de transporte escolar acessível, com base na Pesquisa Domiciliar para identificação das barreiras que impedem o acesso e permanência na escola dos beneficiários do BPC, realizada no período de 2009 a 2010.
Essa pesquisa indicou dentre os principais motivos para o não acesso das pessoas com deficiência à escola, a falta de transporte acessível, registrando os seguintes percentuais regionais: Nordeste -35%; Centro Oeste -33%; Norte - 32%; Sudeste - 28%; Sul - 23%. Para atendimento a essa demanda, o MEC, por meio de ação conjunta entre a SECADI e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE deverá viabilizar a aquisição e distribuição de veículos para o transporte escolar acessível.
Essa ação priorizará em cada unidade federada, os municípios com maior número de beneficiários do BPC com deficiência, em idade escolar obrigatória, fora da escola, conforme identificação da pesquisa domiciliar. A quantidade de veículos a ser disponibilizada a cada município será definida a partir do seguinte cálculo: média percentual nacional de 30% da incidência da barreira “falta de transporte acessível” sobre o total de beneficiários fora da escola no município, dividido pelo número médio de lugares do veículo (23 assentos).
Aplicando esse critério será necessário adquirir, entre 2012 e 2014, 2.609 veículos acessíveis para o transporte, contemplando 1.530 municípios, nas 27 unidades federadas, conforme detalha a tabela abaixo:

Região
Nº de beneficiários
fora da escola
Nº de municípios
contemplados
Nº de veículos
disponibilizados
Nordeste
89.234
812
1.214
Centro Oeste
11.511
63
127
Norte
24.392
179
319
Sudeste
61.438
339
740
Sul
19.706
137
209
Total Brasil
206.281
1.530
2.609
Considerando a necessidade de estudos quanto à legislação e as normas técnicas para a definição dos requisitos de acessibilidade a serem adotados, bem como de providências para tramitação do processo de produção, aquisição e distribuição dos veículos a fim de viabilizar a ação de transporte escolar acessível aos estudantes beneficiários do BPC, propomos constituição de grupo de trabalho formado por dois membros da SECADI e dois do FNDE.
Martinha Clarete Dutra dos Santos
Diretora de Políticas de Educação Especial

DPEE /

AEE_Estudo_do_Caso_Roberto

AEE Estudo do caso Roberto “Roberto” tem 13 anos de idade, está matriculado no 4º ano em uma escola da rede municipal de ensino tem características de deficiência intelectual e apresenta uma leve deformidade no crânio, provavelmente consequência do parto a fórceps. Vive em uma instituição para crianças e adolescentes órfãos. Encontra-se na fase (pré-silábica) do desenvolvimento da linguagem escrita. Apresenta variação de comportamento: em alguns momentos demonstra interesse e em outros, não para desenvolver as atividades de leitura e escrita. “Roberto” é muito inquieto em sala de aula, desloca-se com muita frequência chegando até a fugir da sala, não se interessando pela as atividades propostas por a professora e, após inúmeras tentativas de atividades, a mesma percebeu que esse aluno entende melhor as atividades escritas em contexto de jogo, já que manifesta um enorme interesse pelos mesmos, demonstrando grande esperteza para compreender suas regras e assim, ser sempre o vencedor. Na sua locomoção, percebe-se que arrasta os pés sem flexionar os joelhos. Tem dificuldades para desenvolver atividades gráficas no traçado das letras e no desenho. Seu relacionamento com as outras crianças é muito bom e também com a professora da sala regular, sendo mais ligado a dois colegas de sua turma chegando a chamá-los de irmãos, esses dois garotos moram na mesma instituição que o “Roberto”. “Roberto” chegou nessa Instituição com poucos dias de vida e com a saúde em estado muito grave, segundo a Assistente Social. Teve uma infância com muitos problemas de saúde e de comportamento. Esteve em sala de aula especial até os 09 anos e na opinião da Assistente Social, todo esse tempo, contribuiu para que o seu comportamento regredisse passando a apresentar reações infantilizadas, necessitando de cuidados especiais em muitas atividades da vida. Nunca recebeu atendimento clinico. Aos 10 anos foi matriculado no primeiro ano na sala regular, permanecendo na mesma escola até o 3º ano. Seus professores não pareciam se preocuparem com sua aprendizagem, achando que para ele a socialização bastava. No 4º ano com a mudança de escola passou a frequentar o Atendimento Educacional Especializado – AEE na Sala de Recursos Multifuncionais - SRM. Ao recebê-lo, procurou-se conversar com a professora do “Roberto”, da sala regular para sabermos do seu comportamento em sala, suas potencialidades, habilidades, dificuldades, a qual relatou que o mesmo tem muitas dificuldades no traçado das letras e desenhos restringindo-se a algumas letras do alfabeto, principalmente as que compõem o seu nome; só consegue ler algo com a presença de imagens. A professora percebeu que identifica algumas letras do alfabeto. De posse dessas informações e o observando durante os primeiros atendimentos, a professora do AEE pode constatar que “Roberto” tem comprometimento com seu desenvolvimento intelectual, o que não impede de ser perspicaz, principalmente para compreender regras de jogos e se beneficiar para vencer sempre. Apresenta boa capacidade de comunicação, favorecendo assim o diálogo com os colegas e professoras. Na sala de aula regular “Roberto” fica querendo sempre ajuda para desenvolver suas atividades e isso deixa sua professora irritada. O aluno tem sua saúde fragilizada, frequentemente tem crises respiratórias e alérgicas, usa medicamentos diários para evitar essas crises. Supõe-se que a natureza do problema de “Roberto” seja de ordem cognitiva e motora, a primeira por conta da suposta deficiência intelectual (ainda não contamos com o Laudo Médico) e a segunda em virtude de sequelas neuromotoras que afetaram seu tônus muscular, causando as dificuldades com o manuseio do lápis e na motricidade ampla. A falta de execução dos movimentos é por causa da hipotonia muscular, que impede a ação de pular e correr. A atenção seletiva atrapalha sua concentração. Enquanto professora do AEE na SRM, tem-se buscado estabelecer diálogos constantes com a professora do “Roberto” - sala regular e com a Assistente Social da Instituição na qual esse aluno reside, com o objetivo de conhecê-lo com mais profundidade, orientando para que o “Roberto” seja atendido por profissionais como neurologista, para emissão de Laudo Médico; fisioterapeuta (possibilidade de melhorar a coordenação motora – locomoção); psicopedagoga, para identificação das causas da dificuldade na aprendizagem, psiquiatra, para constatação ou não da deficiência intelectual, profissionais esses que através de seus Laudo/Relatórios poderão auxiliar/ favorecer a identificação de estratégias e metodologias que a professora da Sala de Recursos Multifuncionais poderá valer-se para elaborar e/ou selecionar atividades que explorem as potencialidades desse aluno, visando a melhoria no processo de aprendizagem, na aquisição dos conhecimentos, na socialização do mesmo no ambiente escolar e fora dessa, estimulando-o no processo de independência/ autonomia, além de contribuir com a professora da sala regular, no sentido de que esta tenha uma melhor descrição da realidade desse aluno. Acredita-se que atividades que envolvam jogos, como por exemplo: bingos, dominós, envolvendo regras e competição, tornarão os momentos de aprendizagens mais satisfatórios e despertarão curiosidades, além de trabalhar o raciocínio lógico. Podem-se utilizar as Tecnologias da Informação e da Comunicação – TIC, como exemplo, os jogos educativos.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

AEE_ Estudo_do_ caso_Vinícius

“Vinícius” tem 08 anos de idade, cursa o 1º ano do ensino fundamental na EEF José Hamilton de Oliveira - rede pública de ensino de Limoeiro do Norte, no turno manhã. É uma criança amável em alguns momentos, às vezes apresenta comportamento agressivo, como jogar material no chão, chega a ser grosseiro; ele mesmo comenta que bate na avó. Está sob a aguarda dessa avó; a mãe é proprietária de bar, vive na prostituição e não tem muitos contatos com os filhos (tem mais 3 filhos e não criou nenhum) e o pai é presidiário(atualmente recluso em Fortaleza), por ter matado um senhor. Segundo depoimentos da avó, os pais são usuários de drogas. Quando o “Vinícius” nasceu, sua mãe tinha apenas 13 anos de idade e a mesma encontrava-se sob efeito de drogas, naquele momento. A família (o “Vinicius” reside apenas com os avós maternos, de aproximadamente 60-70 anos de idade), informa não ter Laudo Médico, muito embora vizinhos e conhecidos o chamem de “doido” e não recebe o BPC. O “Vinícius”  demonstra gostar da escola, mas às vezes chantageia a avó quando essa o contraria, dizendo que não quer ir para a escola. Atitude essa que a avó acaba que por obrigá-lo a ir. Percebe-se pela fala da mesma que o “Vinícius” não tem limites, esta lhe deixa muito a vontade (na base do “tudo pode”).
Segundo a professora da sala regular, esse aluno ainda não conhece todas as letras do alfabeto, portanto não está alfabetizado (fora de faixa, com histórico escolar conturbado). É muito inquieto, tem dificuldades de concentração e demonstra gostar de atividades que envolvem encaixes (tapetes de letras), tem um bom relacionamento com as outras crianças, tendo de vez em quando atitudes agressivas. Do ponto de vista motor, ele não apresenta nenhuma dificuldade de locomoção. Na motricidade fina, apresenta dificuldades gráficas no traçado das letras e no desenho. A linguagem é mau articulada mas mesmo assim expressa-se com facilidade – fala muito, principalmente quando refere-se às histórias de vidas de seus pais.
Na sala regular, relaciona-se bem tanto com a professora como com os demais colegas, mas percebe-se oscilação em seu comportamento. Resolve algumas das atividades propostas, auxiliado pela professora, apesar de ser muito inquieto. Durante o intervalo, interage com os meninos. Demonstra ser sociável, humano, inclusive “pagando” lanche para a professora do AEE e parentes (prima) e colegas (isso quando leva dinheiro). A família acredita em seu potencial, preocupa-se com a sua aprendizagem e frequência à escola.
Essa escola tem uma SRM, mas somente a partir de abril/2013, foi lotada uma professora, a qual passou a  desenvolver atividades de sondagens para identificar o nível de conhecimentos desse aluno. Aos poucos percebeu que ele ainda não conhece todas as letras do alfabeto, sabe formar o seu nome, com as letras do alfabeto móvel, e palavras como “bola”, “vela”, palavras maiores, já demonstra dificuldades, inclusive confunde as letras “M” e “N”. É criativo com os encaixes e tem uma forte tendência a construir armas – pistolas, sendo esse o primeiro brinquedo construído. As atividades desenvolvidas na SRM até o momento, tem proporcionado respostas às indagações iniciais, revelando as causas do seu  comportamento agressivo, potenciais existentes, habilidades, participação da família na escola, dentre outros. Durante todo esse período de atendimento, a professora do AEE, tem buscado ao máximo uma aproximação com esse aluno, no sentido de conhecê-lo melhor e assim ter condições de desenvolver atividades que o estimulem a aprendizagem e a socialização. Dentre as atividades realizadas, cita-se as com desenhos, pinturas, colagens, para avaliar a sua motricidade, momento que constatou-se que o mesmo não tem uma boa motricidade.
A professora do AEE constata que apesar da fala desarticulada, ele consegue expressar-se, principalmente quando o assunto é relacionado a história de vida de  seus pais, questões que relata com muita  naturalidade,  demonstrando saber de toda essa realidade que o cerca.
Após a coleta de dados e informações, a professora do AEE, identificou a problemática desse aluno e dos ambientes com os quais ele interage (meio familiar, escola, sala regular e a SRM). Esse procedimento permitiu-lhe constatar que o comportamento do “Vinícius” se dá em função do seu meio social, ou seja, desde o seu nascimento, uma lar desajustado e muito conturbado.
Conclui-se, aparentemente, que a saúde física do “Vinícius” é boa, e que atualmente não ingere medicamentos. Mas orientou-se a família a procurar especialistas como psicólogos, neurologistas, psicopedagogo, assistente social, tendo em vista, seu comportamento diferente dos outros meninos da mesma idade, dificuldade de concentração, agressividade e os problemas relacionados aos pais.






quinta-feira, 20 de junho de 2013

AEE_Fechamento_Luiza


AEE_Fechamento_Luiza

Em relação ao papel do professor do Atendimento Educacional Especializado - AEE, entende-se que o mesmo precisa de muita leitura e sensibilidade para “identificar, elaborar, produzir e organizar serviços, recursos pedagógicos, de acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos, público – alvo da educação especial” (Inciso I, Art. 13, Res. Nº 4/2009), facilitando o desenvolvimento de suas habilidades, explorando as suas potencialidades, não só na sala de A E E, como em toda escola e até em casa, desenvolvendo ações que nesse sentido junto ao professor da sala regular e aos familiares. É também, função do professor de AEE sensibilizar a comunidade escolar e familiares, sobre as funções da sala de recursos para que juntos consigam caminhar em busca da inclusão. O conhecimento da Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, por parte dos segmentos envolvidos, fortalecerá as ações desenvolvidas pela escola comum, visando a aprendizagem satisfatória do aluno com deficiência, com o apoio dos Serviços do AEE.
O estudo de caso é de suma importância, pois nos fornece informações sobre a história de vida de nossos alunos, nos aspectos social/afetivo, econômico, cognitivo, emocional, as experiências escolares, nível de aprendizagem, questões relacionadas a saúde, terapias, facilitando a identificação de estratégias de aprendizagens que superem as dificuldades dos  alunos, eliminando as principais barreiras que os impede de desenvolver seus potenciais na sala de aula regular, sem discriminação, e com sucesso dentro e fora da escola, tornando-se uma pessoa mais independente/autônoma. É somente a partir do estudo de caso, que o professor do AEE terá condição de pesquisar todas as questões relativas aquele(a) aluno(a) e  assim, buscar soluções que valorize suas habilidades.
O plano de AEE tem uma grande contribuição no processo de aprendizagem do aluno, pois esse é soma de muitas informações sobre esse aluno, bem como a identificação de estratégias e metodologias que favoreçam a aprendizagem, valorizando o potencial desse aluno. Deverá ser elaborando, com informações fornecidas também pela professora da sala de aula regular, a qual deverá manter uma relação de parceria com o professor do AEE. A partir desse diagnóstico, o professor do AEE deverá elaborar o Plano de AEE com atividades que visem valorizar os conhecimentos já adquiridos, que superem as suas necessidades e o estimule, desenvolvendo o raciocínio lógico, o senso crítico, de forma a complementar os conteúdos trabalhados na sala de aula regular.
Sabe-se que a execução do Plano de AEE é um desafio constante, pois apesar de todo plano ser flexivo, o trabalho com pessoas com Deficiência Intelectual - DI é muito complexo, a própria Comunidade Cientifica, vive em constante pesquisas na busca de melhor identificar causas e efeitos, visando orientar melhor os profissionais da saúde, da educação, dentre outros que atendem essas pessoas.
Tem-se consciência que o processo de aprendizagem para quem tem DI é lento, necessitando de muita repetição, com materiais concretos, de forma lúdica, pois muitas vezes demonstram que precisam rever todo o conteúdo – esquecem com muita facilidade. Mas vale apena oportunizar estratégias de aprendizagens a essas pessoas e o Plano de AEE e DI dá essa condição, haja vista, ser um plano individual e/ou em pequenos grupos, desde que direcionado para alunos com a mesma deficiência e níveis de aprendizagem. Assim, acredita-se que aos poucos, com o desenvolvimento do Plano e suas respectivas reformulações, a escola comum possa favorecer a inclusão escolar e social das pessoas que tem DI.

Referencial Bibliográfico:
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação    Básica. Resolução Nº 4, de 02 de outubro de 2009.
ROPOLI, Edilene Aparecida...[et. al.]. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de
     Educação Especial; [Fortaleza]: Universidade Federal do Ceará, 2010. Vol. 1 - A Escola Comum Inclusiva (A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar).
GOMES, Adriana Leite Lima Verde.
      Educação especial na Perspectiva  da Inclusão Escolar: O Atendimento Educacional Especializado para alunos com Deficiência Intelectual / Adriana Leite Lima Verde Gomes...[et.al.]. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial; [Fortaleza]: Universidade Federal do Ceará, 2010. Vol. 2 – O Atendimento Educacional Especializado para alunos com Deficiência Intelectual (A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar).