PS_Luiza Barbosa A Inclusão Escolar da Pessoa com Surdez na Escola
Regular
Luiza
Barbosa de Sousa Vieira
Curso de Especialização à Distância em AEE / UFC.
A inclusão escolar de pessoas com
surdez em escolas regulares, em geral revela o entendimento que a maioria das
pessoas têm, ou seja, que as pessoas com surdez devem estar numa
sala e/ou escola especial, aprendendo a comunicar-se através da LIBRAS (L1) e
relacionando-se na maioria das vezes apenas com surdos e que num segundo
momento, aprenderão a Língua Portuguesa (L2). No entanto, essa compreensão está
mudando graças às novas concepções de homem, atualmente defendida por
profissionais da Educação como Damázio (2005), que acredita que as propostas de
trabalho para a escolarização de pessoas com surdez, devem basear-se
“à luz do pensamento pós-moderno, a
pessoa com surdez, como ser humano descentrado, em que processos perceptivos,
linguísticos e cognitivos poderão ser estimulados e desenvolvidos, tornando-se
seres humanos capazes, produtivos e constituídos de várias linguagens, com
potencialidade para adquirir e desenvolver não somente os processos
visuais-gestuais, mas também ler e escrever as línguas em seus entornos”.
Baseando-se nesse princípio, entende-se
que é necessário o rompimento das práticas pedagógicas conservadoras, buscando
desenvolver a prática pedagógica, çlpcompreendendo a pessoa com surdez, em sua
totalidade, ou seja, um ser biopsicossocial, cognitivo e cultural e não vê-lo
reduzido ao mundo surdo, às comunidades surdas.
A proposta educacional para essas
pessoas é proporcionar ações de mudanças educacionais -
estratégias, metodologias, adaptações curriculares, voltadas para incluí-las em
sala/escola regular, com intérprete de Libras, respeitando as diferenças - visto
que cada ser é um ser diferente; com condições de aprendizagem iguais para
todos os alunos, independente de suas limitações. Estudiosos como Damázio
(2005), revelam uma nova possibilidade de trabalho para essa parcela da
população que possui uma língua especifica a L1 e que convive diariamente nos
mais diversos contextos sociais, com uma maioria que usa outra língua, a
L2. Daí a necessidade da população surda aprender a L2,
principalmente na modalidade escrita, a qual favorecerá a interação com os usuários
dessa língua (ouvintes). A partir dessas considerações, percebe-se que a
escola, na perspectiva da Educação Inclusiva, precisa rever suas práticas
pedagógicas, de forma a contemplar o desenvolvimento das pessoas com surdez -
PS, levando em conta que essas também estão envolvidas em redes sociais,
culturais e de saberes, proporcionando aos seus alunos, condições de se
sentirem sujeitos participativos desse contexto. A educação inclusiva propõe a
efetivação da proposta bilíngue, oportunizando às PS tanto o aprendizado da L1,
como da L2, sem priorizar uma língua sobre a outra, mas que ambas contribuam
para a aquisição e produção de conhecimentos, a formação critica dos alunos, a
interação com as demais pessoas nos mais diversos espaços sociais.
A literatura atual apresenta uma
proposta inovadora para a escola regular ofertar educação às PS, de
forma a possibilitar uma aprendizagem de qualidade, respeitando às suas
potencialidades, habilidades e especificidade linguística, que são os serviços
de Atendimento Educacional Especializado – AEE PS de forma complementar as
atividades desenvolvidas na sala regular. Esses serviços serão desenvolvidos
através de um Plano de AEE e PS, envolvendo os três momentos
didático-pedagógicos: AEE de libras – momento em que a pessoa com surdez terá
oportunidade de aprender e/ou aprofundar seus conhecimentos nessa língua,
inclusive a aquisição de sinais de termos científicos; o AEE em libras – espaço
dedicado para interpretação em libras dos conteúdos da sala regular,
facilitando a sua compreensão e o AEE de Língua Portuguesa, onde o aluno com
surdez se apropriará das especificidades dessa língua, na modalidade escrita.
Acredita-se que somente a partir da efetivação dessa proposta, é que a escola
regular possa de fato está contribuindo para o processo de inclusão educacional
das PS. Ressalta-se que o Plano de AEE PS será elaborado em consonância com os
conteúdos trabalhados na sala regular, ouvindo os profissionais (professores,
interpretes, coordenações) envolvidos com esse aluno além é claro
dos familiares. Sabemos que a Inclusão de PS na escola regular é um grande
desafio a ser enfrentado por todos, de forma gradativa, com muitas leituras e
discussões. Mas que é possível desde que as pessoas aprendam a respeitar às
diferenças humanas e, assim como as flores, consigam embelezar o mundo com suas
diversidades.
Referência
bibliográfica: DAMÁZIO,
Ferreira Macedo Milene. Educação Escolar de Pessoas com Surdez. Atendimento
Educacional Especializado em Construção.