sexta-feira, 21 de junho de 2013

AEE_ Estudo_do_ caso_Vinícius

“Vinícius” tem 08 anos de idade, cursa o 1º ano do ensino fundamental na EEF José Hamilton de Oliveira - rede pública de ensino de Limoeiro do Norte, no turno manhã. É uma criança amável em alguns momentos, às vezes apresenta comportamento agressivo, como jogar material no chão, chega a ser grosseiro; ele mesmo comenta que bate na avó. Está sob a aguarda dessa avó; a mãe é proprietária de bar, vive na prostituição e não tem muitos contatos com os filhos (tem mais 3 filhos e não criou nenhum) e o pai é presidiário(atualmente recluso em Fortaleza), por ter matado um senhor. Segundo depoimentos da avó, os pais são usuários de drogas. Quando o “Vinícius” nasceu, sua mãe tinha apenas 13 anos de idade e a mesma encontrava-se sob efeito de drogas, naquele momento. A família (o “Vinicius” reside apenas com os avós maternos, de aproximadamente 60-70 anos de idade), informa não ter Laudo Médico, muito embora vizinhos e conhecidos o chamem de “doido” e não recebe o BPC. O “Vinícius”  demonstra gostar da escola, mas às vezes chantageia a avó quando essa o contraria, dizendo que não quer ir para a escola. Atitude essa que a avó acaba que por obrigá-lo a ir. Percebe-se pela fala da mesma que o “Vinícius” não tem limites, esta lhe deixa muito a vontade (na base do “tudo pode”).
Segundo a professora da sala regular, esse aluno ainda não conhece todas as letras do alfabeto, portanto não está alfabetizado (fora de faixa, com histórico escolar conturbado). É muito inquieto, tem dificuldades de concentração e demonstra gostar de atividades que envolvem encaixes (tapetes de letras), tem um bom relacionamento com as outras crianças, tendo de vez em quando atitudes agressivas. Do ponto de vista motor, ele não apresenta nenhuma dificuldade de locomoção. Na motricidade fina, apresenta dificuldades gráficas no traçado das letras e no desenho. A linguagem é mau articulada mas mesmo assim expressa-se com facilidade – fala muito, principalmente quando refere-se às histórias de vidas de seus pais.
Na sala regular, relaciona-se bem tanto com a professora como com os demais colegas, mas percebe-se oscilação em seu comportamento. Resolve algumas das atividades propostas, auxiliado pela professora, apesar de ser muito inquieto. Durante o intervalo, interage com os meninos. Demonstra ser sociável, humano, inclusive “pagando” lanche para a professora do AEE e parentes (prima) e colegas (isso quando leva dinheiro). A família acredita em seu potencial, preocupa-se com a sua aprendizagem e frequência à escola.
Essa escola tem uma SRM, mas somente a partir de abril/2013, foi lotada uma professora, a qual passou a  desenvolver atividades de sondagens para identificar o nível de conhecimentos desse aluno. Aos poucos percebeu que ele ainda não conhece todas as letras do alfabeto, sabe formar o seu nome, com as letras do alfabeto móvel, e palavras como “bola”, “vela”, palavras maiores, já demonstra dificuldades, inclusive confunde as letras “M” e “N”. É criativo com os encaixes e tem uma forte tendência a construir armas – pistolas, sendo esse o primeiro brinquedo construído. As atividades desenvolvidas na SRM até o momento, tem proporcionado respostas às indagações iniciais, revelando as causas do seu  comportamento agressivo, potenciais existentes, habilidades, participação da família na escola, dentre outros. Durante todo esse período de atendimento, a professora do AEE, tem buscado ao máximo uma aproximação com esse aluno, no sentido de conhecê-lo melhor e assim ter condições de desenvolver atividades que o estimulem a aprendizagem e a socialização. Dentre as atividades realizadas, cita-se as com desenhos, pinturas, colagens, para avaliar a sua motricidade, momento que constatou-se que o mesmo não tem uma boa motricidade.
A professora do AEE constata que apesar da fala desarticulada, ele consegue expressar-se, principalmente quando o assunto é relacionado a história de vida de  seus pais, questões que relata com muita  naturalidade,  demonstrando saber de toda essa realidade que o cerca.
Após a coleta de dados e informações, a professora do AEE, identificou a problemática desse aluno e dos ambientes com os quais ele interage (meio familiar, escola, sala regular e a SRM). Esse procedimento permitiu-lhe constatar que o comportamento do “Vinícius” se dá em função do seu meio social, ou seja, desde o seu nascimento, uma lar desajustado e muito conturbado.
Conclui-se, aparentemente, que a saúde física do “Vinícius” é boa, e que atualmente não ingere medicamentos. Mas orientou-se a família a procurar especialistas como psicólogos, neurologistas, psicopedagogo, assistente social, tendo em vista, seu comportamento diferente dos outros meninos da mesma idade, dificuldade de concentração, agressividade e os problemas relacionados aos pais.






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